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Flurxo

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Diâmetro de tubo de água fria

O número do nome é o lado de fora. Quem manda na vazão é o lado de dentro, e a diferença entre os dois é a parede do tubo.

Retrato de Lucas Brandão

Lucas Brandão Arquiteto e urbanista, responsável técnico do Flurxo

Publicado em

Quatro pedaços de tubo de PVC de diâmetros diferentes alinhados numa bancada, com a seção voltada para a câmera e um paquímetro apoiado.

Toda conta de hidráulica predial usa o diâmetro interno, e quase todo material vendido é identificado pelo externo. Essa defasagem produz erros silenciosos: quem digita 25 no lugar de 21,6 num cálculo de velocidade encontra um valor 25 % menor do que o real, e conclui que o tubo está folgado quando ele não está. O cálculo de vazão pede o interno justamente por isso.

A tabela do tubo soldável

O diâmetro interno é o externo menos duas espessuras de parede. No soldável, a parede vai de 1,5 mm no DN 20 a 6,1 mm no DN 110, o que faz a diferença entre nominal e interno crescer com a bitola.

Bitola Equivalente em polegadas Parede Diâmetro interno Seção
DN 20 1/2" 1,5 mm 17,0 mm 2,27 cm²
DN 25 3/4" 1,7 mm 21,6 mm 3,66 cm²
DN 32 1" 2,1 mm 27,8 mm 6,07 cm²
DN 40 1.1/4" 2,4 mm 35,2 mm 9,73 cm²
DN 50 1.1/2" 3,0 mm 44,0 mm 15,21 cm²
DN 60 2" 3,3 mm 53,4 mm 22,40 cm²
DN 75 2.1/2" 4,2 mm 66,6 mm 34,84 cm²
DN 85 3" 4,7 mm 75,6 mm 44,89 cm²
DN 110 4" 6,1 mm 97,8 mm 75,12 cm²

A equivalência em polegadas é comercial, e não uma conversão exata: ela existe porque as conexões de transição precisam conversar com roscas em polegadas. Vale reparar que a área cresce muito mais rápido que o diâmetro, porque depende do quadrado dele: do DN 20 para o DN 25 a seção cresce 61 %, e do DN 25 para o DN 32, outros 66 %. Subir uma bitola é uma mudança grande, e é por isso que ela costuma resolver problema de vazão.

Soldável e roscável não são a mesma peça mais grossa

O soldável é unido com adesivo plástico, que solda quimicamente as superfícies e forma junta permanente. O roscável tem paredes mais espessas para comportar a abertura da rosca, é unido com fita veda rosca e pode ser desmontado depois.

A consequência disso é onde cada um vive. O soldável vai embutido na parede e no piso, onde a junta permanente é vantagem e a desmontagem não faz falta. O roscável aparece em instalação aparente, em rede provisória de obra e em trechos que podem precisar de remanejamento, porque a rosca dá volta atrás. Como as paredes do roscável são mais grossas, o diâmetro interno dele é um pouco menor que o do soldável de bitola equivalente, e o valor exato sai do catálogo do fabricante.

Duas regras de montagem que aparecem em manual e somem na obra: a rosca precisa ser aberta com tarraxa específica para PVC rígido, para que a espessura resultante ainda resista à pressão; e a junta roscável é apertada com a mão, sem ferramenta. Chave de grifo em conexão plástica trinca a bolsa, e a trinca só aparece semanas depois, já dentro da parede.

A pressão que o tubo aguenta cai com a temperatura

A linha soldável de água fria tem pressão de serviço de 750 kPa a 20 °C, o que equivale a 7,5 kgf/cm² ou 75 metros de coluna d água, já incluindo sobrepressão máxima de 250 kPa. Esse valor é corrigido para baixo conforme a temperatura sobe.

Temperatura Fator de correção Pressão de serviço
20 °C 1,0 750 kPa
25 °C 1,0 750 kPa
30 °C 0,9 675 kPa
35 °C 0,8 600 kPa
40 °C 0,7 525 kPa
45 °C 0,6 450 kPa

A 45 °C, que é o máximo admitido para a linha, o tubo aguenta 60 % do que aguentava a 20 °C. É por isso que água quente não passa por tubo de água fria, mesmo em trecho curto e mesmo quando a pressão parece baixa: a perda de resistência é real e permanente enquanto o tubo estiver quente. Para água quente existem linhas próprias, em CPVC, PPR ou cobre.

Onde os 400 kPa da norma encontram os 750 do tubo. A norma limita a pressão estática nos pontos de utilização a 400 kPa, bem abaixo do que o tubo suporta. Esse limite não existe para proteger a tubulação: existe para proteger as peças de utilização, o registro, o aquecedor e o próprio conforto de uso, além de reduzir desperdício. Em prédio alto, atingir esse limite nos andares baixos é rotina, e a solução é a válvula redutora de pressão.

Quanto adesivo o serviço consome

O consumo de adesivo e de solução preparadora é contado por junta, e cada peça vale um número diferente de juntas: o tubo conta uma, o joelho conta duas e o tê conta três. Numa bitola de 25 mm, cada junta feita na bolsa do tubo consome cerca de 2 g de adesivo e 3 cm³ de solução preparadora, e cada junta feita na bolsa de uma conexão, 1 g e 2 cm³. Uma instalação de banheiro com quarenta juntas fica, portanto, entre 40 e 80 g de adesivo e entre 80 e 120 cm³ de solução, conforme a proporção entre os dois tipos de bolsa. O consumo sobe rápido com a bitola: na de 110 mm, uma única junta de tubo leva 17 g.

A solução preparadora não é opcional nem é limpeza estética. Ela remove a gordura e prepara a superfície para a solda química, e é a ausência dela que explica boa parte dos vazamentos que aparecem meses depois em juntas aparentemente bem feitas. Depois da montagem, o teste hidráulico só pode ser feito após o tempo de cura indicado pelo fabricante, que costuma ser de 12 horas para o adesivo comum.

Como escolher a bitola, segundo a norma

O item 6.14.3 da NBR 5626 lista o que deve determinar o diâmetro: as velocidades e vazões consideradas, a limitação de ruído e o meio de isolação acústica adotado, a forma de instalação, o tipo de material especificado e a disponibilidade de perda de carga, atendendo às pressões dinâmicas mínimas necessárias em cada ponto. E acrescenta uma frase que surpreende muita gente: não há limitação para diâmetros nominais mínimos de sub-ramais e respectivos engates ou tubos de ligação.

Ou seja, não existe uma regra do tipo "banheiro é 25 e cozinha é 20". Existe uma cadeia: a vazão que se quer entregar define a velocidade em cada seção, a velocidade define ruído e golpe, e o diâmetro define quanta pressão sobra depois da perda de carga. Trocar um tubo por outro mais grosso resolve quando o gargalo é a seção; não resolve quando o gargalo é a altura da caixa, a quantidade de conexões ou um registro pela metade. O caminho para separar essas causas está em perda de carga e comprimento equivalente e em velocidade da água e ruído na tubulação.

Até onde esta página vai

As dimensões aqui são as de catálogo de fabricantes que seguem a ABNT NBR 5648, e servem para alimentar cálculo e conferência de material. Elas variam um pouco entre marcas e entre linhas, e o valor que vale é o do produto que você tem em mãos. Dimensionamento de rede predial, com vazões de projeto, verificação de pressão em cada ponto e método declarado, é projeto de responsável técnico.

Perguntas frequentes

O tubo DN 25 tem 25 mm por dentro?
Não. No soldável, o número do nome é o diâmetro externo. O DN 25 tem parede de 1,7 mm, então sobram 21,6 mm internos. É o diâmetro interno que define a área de escoamento e, portanto, a vazão e a velocidade da água.
Qual a diferença entre tubo soldável e roscável?
O soldável é unido com adesivo plástico e forma uma junta permanente; é o padrão em instalação embutida. O roscável tem paredes mais espessas, é unido por rosca com fita veda rosca e pode ser desmontado, o que o torna útil em instalação aparente e em rede provisória.
Qual a pressão que o tubo de PVC aguenta?
Setecentos e cinquenta quilopascals a 20 °C, o equivalente a 7,5 kgf/cm² ou 75 metros de coluna d água, já contando sobrepressão máxima de 250 kPa. Esse valor cai com a temperatura: a 45 °C, que é o máximo admitido, a pressão de serviço desce para 450 kPa.
Qual o diâmetro mínimo do ramal de água fria?
A NBR 5626 de 2020 registra que não há limitação para diâmetros nominais mínimos de sub-ramais e engates. O diâmetro decorre da vazão, da velocidade admitida, do ruído e da perda de carga disponível, e não de uma tabela de mínimos.
Posso usar tubo de PVC soldável em água quente?
Não. A linha soldável comum é para água fria, com temperatura máxima de trabalho em torno de 20 °C e limite de 45 °C com pressão reduzida. Água quente pede tubulação específica, em CPVC, PPR ou cobre, conforme o sistema adotado.

A conta que este texto acompanha

Vazão e perda de carga Vazão em L/s e L/min, velocidade da água e perda de carga do trecho com as conexões.

Fontes

  • Tigre, catálogo técnico de água fria, itens da linha soldável e da linha roscável Tabela de dimensões do tubo soldável, com diâmetro externo e espessura de parede: 20 mm com 1,5 mm, 25 com 1,7, 32 com 2,1, 40 com 2,4, 50 com 3,0, 60 com 3,3, 75 com 4,2, 85 com 4,7 e 110 com 6,1 mm, em barras de 3 e 6 metros. Informa que a linha roscável é fabricada com paredes mais espessas, em diâmetros de meia polegada a duas polegadas, com pressão de serviço de 7,5 kgf/cm² a 20 °C e barras de 3 e 6 metros. Traz ainda a tabela de consumo de adesivo plástico e solução preparadora por junta, contando o tubo como uma junta, o joelho como duas e o tê como três.
  • Amanco Wavin, ficha técnica da linha Água Fria Soldável Declara pressão de serviço de 750 kPa a 20 °C, equivalentes a 7,5 kgf/cm² ou 75 mca, já incluindo sobrepressão máxima de 250 kPa, temperatura máxima de 45 °C e os diâmetros de 20 a 110 mm conforme a ABNT NBR 5648. Traz o fator de correção da pressão nominal em função da temperatura: 1,0 até 25 °C, 0,9 a 30 °C, 0,8 a 35 °C, 0,7 a 40 °C e 0,6 a 45 °C, o que derruba a pressão admissível de 750 para 450 kPa.
  • ABNT NBR 5626:2020, itens 6.14.3 e 6.14.4 O item 6.14.3 determina que os diâmetros sejam escolhidos em decorrência das velocidades e vazões consideradas, da limitação de ruído, da forma de instalação, do tipo de material e da disponibilidade de perda de carga, e registra expressamente que não há limitação para diâmetros nominais mínimos de sub-ramais e respectivos engates.