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Flurxo

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Espaçamento dos barrotes do deck

Régua boa sobre estrutura espaçada demais vira piso que afunda. É o erro mais caro do deck, e o mais invisível depois de pronto.

Retrato de Lucas Brandão

Lucas Brandão Arquiteto e urbanista, responsável técnico do Flurxo

Publicado em

Deck de madeira em construção num quintal, com os barrotes paralelos já fixados e as primeiras réguas parafusadas na ponta.

O deck que cede ao pisar quase nunca tem problema de régua. Tem problema de vão. Cada régua é uma viguinha que trabalha entre dois apoios, e a deformação dela cresce muito rápido com a distância entre esses apoios. Como a estrutura fica escondida embaixo do piso, o erro só aparece quando tudo já está parafusado. A quantidade de régua sai da calculadora de madeira; a quantidade de barrote sai daqui.

O limite, por tipo de material

Em deck de madeira maciça, o espaçamento entre barrotes não deve passar de 50 cm entre eixos. Em perfis de madeira plástica, os manuais de fabricante são bem mais restritivos: 25 cm para alguns perfis e 30 cm para outros.

Material Vão máximo entre apoios Observação
Madeira maciça de lei até 50 cm 40 cm em régua fina e em área de muita circulação
WPC, perfil mais leve 25 cm limite de catálogo do fabricante
WPC, demais perfis 30 cm limite de catálogo do fabricante

A diferença entre 50 e 25 cm não é conservadorismo de um fabricante: é rigidez de material. O compósito de madeira e plástico é mais flexível que a madeira de lei, e por isso precisa de apoio mais frequente para entregar a mesma sensação de firmeza. Quem substitui régua de madeira por WPC sobre uma estrutura existente, sem mexer nos barrotes, costuma se arrepender.

Por que 10 cm a mais no vão pesam tanto. A flecha de uma peça apoiada cresce com a quarta potência do vão. Passar de 40 para 50 cm aumenta o vão em 25 % e mais que dobra a deformação da régua sob o mesmo pisão. É por isso que a diferença entre um deck firme e um deck que trampolina pode ser uma linha de barrote a menos por metro.

A folga entre as réguas

De 4 a 5 mm entre uma régua e a vizinha, especialmente em área externa. A folga tem três funções simultâneas: escoar a água da chuva, ventilar a face inferior da régua e dar espaço para a peça inchar quando a umidade sobe.

Deck externo vive em condição de umidade alta. A classe de umidade mais severa da norma de estruturas de madeira descreve exatamente esse ambiente: umidade relativa acima de 85 % por longos períodos, com a madeira chegando a 25 % ou mais de umidade de equilíbrio. Nessa faixa, a peça incha de forma perceptível, sobretudo na largura. Sem folga, uma régua empurra a outra, a fileira inteira ganha comprimento que não tem para onde ir, e o deck levanta no meio ou nas bordas.

A folga também muda a conta da compra: cada régua ocupa a própria largura mais a folga, então um deck com 5 mm de folga precisa de menos peças que o mesmo deck com as réguas encostadas. Em régua de 7 cm, os 5 mm derrubam o consumo em 6,7 %; em régua de 19 cm, em 2,6 %, porque a mesma folga se dilui numa peça mais larga. É por isso que a folga entra na calculadora antes do pedido.

O que fica embaixo do deck

Três coisas decidem a durabilidade e nenhuma delas aparece depois de pronto: o caimento do contrapiso, a ventilação da face inferior e a ausência de contato direto da madeira com o solo.

  1. Caimento. O manual de deck de WPC indica 1 cm por metro linear no contrapiso, direcionado para fora ou para os pontos de captação. Água que empoça embaixo mantém a estrutura molhada o tempo todo, e nenhuma espécie resiste bem a isso.
  2. Folga no perímetro. De 3 a 5 mm entre os barrotes e as paredes em volta, para que a estrutura possa se movimentar sem empurrar a alvenaria e sem ser empurrada por ela.
  3. Nada de contato com o solo. Madeira apoiada direto na terra absorve umidade por capilaridade e apodrece de baixo para cima, começando justamente pelo ponto que ninguém inspeciona.
  4. Ventilação. O ar que circula por baixo, alimentado pelas folgas entre réguas, é o que permite que a peça seque entre uma chuva e outra.

Fixação: onde o deck racha

A fixação recomendada é de dois parafusos por ponto de apoio, na largura da régua, em aço inoxidável ou galvanizado. Dois parafusos impedem que a régua gire em torno de um ponto só, e o material resistente à corrosão evita a mancha escura que aparece em volta de parafuso comum exposto ao tempo. Os furos podem ser fechados depois com tarugos de madeira, o que melhora o acabamento e protege a cabeça do parafuso.

Duas precauções evitam a rachadura mais comum. A primeira é o pré-furo: madeira de lei é dura, e parafuso entrando a seco perto da ponta abre fenda. A segunda é a distância da extremidade: o manual de WPC pede o primeiro furo a 5 cm da ponta do barrote, e o mesmo cuidado vale para a régua. Emenda de régua, por sua vez, sempre sobre barrote duplo, um para a peça que termina e outro para a que começa, porque apoiar duas pontas no mesmo barrote deixa cada uma com metade da superfície de apoio.

Quantos barrotes o deck precisa

A conta é direta. Os barrotes correm perpendiculares às réguas, e a quantidade deles é o comprimento da régua dividido pelo espaçamento, arredondado para cima, mais um, porque a primeira e a última linha ficam nas duas pontas. Num deck de 4 por 3 m, com réguas de 3 m assentadas na direção menor, os barrotes atravessam os 4 m e se repetem a cada 40 cm ao longo dos 3 m: 3 dividido por 0,40 dá 7,5, que sobe para 8, mais 1, então são 9 linhas de 4 m, ou 36 metros lineares de barrote, antes das duplas de emenda e do perímetro. É material que costuma ficar de fora do orçamento inicial e que representa parcela relevante do custo.

Some ainda a fixação da estrutura ao contrapiso, com pré-furo, bucha e parafuso a cada meio metro ao longo de cada barrote, o que dá cerca de nove fixações por barrote de 4 m. É serviço de instalação, não de acabamento, e é ele que segura o deck no lugar quando o vento passa por baixo.

Até onde esta página vai

Os limites aqui são de catálogo de fabricante e de fornecedor, para deck apoiado sobre contrapiso, com carga de uso residencial. Deck suspenso, deck sobre estrutura metálica, deck em área comercial com grande circulação e qualquer situação em que a estrutura vença vão significativo são dimensionamento pela ABNT NBR 7190, com espécie, classe de resistência e vão verificados por profissional habilitado. O manual de WPC citado aqui declara carga distribuída admitida de até 500 kg/m², e valores como esse são do produto específico, não do tipo de deck.

Perguntas frequentes

Qual o espaçamento entre barrotes de deck de madeira?
No máximo 50 cm entre eixos em deck de madeira maciça, com 40 cm sendo a escolha mais segura para régua fina e para área de maior circulação. Em perfis de madeira plástica os manuais limitam o vão a 25 ou 30 cm, conforme o perfil.
Qual a folga entre as réguas do deck?
De 4 a 5 mm em área externa. A folga escoa a água da chuva, permite a ventilação por baixo e dá espaço para a régua inchar quando a umidade sobe. Deck instalado com as réguas encostadas empurra peça contra peça e acaba levantando.
Precisa de caimento no contrapiso do deck?
Precisa. O manual de deck de WPC indica 1 cm por metro linear, direcionado para fora ou para os pontos de captação. Água parada embaixo do deck mantém a estrutura permanentemente úmida e reduz a vida útil de qualquer espécie.
Como emendar as réguas do deck?
Sempre sobre barrote duplo, um para a régua que termina e outro para a que começa. Apoiar duas réguas no mesmo barrote deixa cada uma com metade da superfície de apoio e com o parafuso perto demais da ponta, que é onde a madeira racha.
Quantos parafusos por régua de deck?
Dois por ponto de apoio, na largura da régua, em aço inoxidável ou galvanizado. Com barrotes a 40 cm, uma régua de 3 m cruza oito apoios e consome dezesseis parafusos. Os furos podem ser fechados depois com tarugos de madeira.

A conta que este texto acompanha

Madeira serrada Cubagem em m³, peças por metro cúbico e a área que as réguas cobrem com a folga.

Fontes

  • Madeiras A Moraes, dicas técnicas de instalação de deck Fornecedor de madeira. Indica espaçamento de barrotes da estrutura do deck de no máximo 50 cm, folga entre réguas de 4 a 5 mm, especialmente em área externa, e fixação com dois parafusos por ponto de apoio na largura da régua, com os furos podendo ser preenchidos depois com tarugos de madeira. Lista garapeira, itaúba, cumaru e ipê como espécies indicadas para uso externo, e recomenda tinta com proteção ultravioleta reaplicada anualmente.
  • Madeplast, manual de instalação de deck contrapiso de WPC Manual de madeira plástica. Fixa vão máximo entre apoios de 25 cm para um dos perfis e de 30 cm para os demais, caimento de 1 cm por metro linear no contrapiso para drenagem, distância de 3 a 5 mm entre barrote e parede, pré-furo a 5 cm da extremidade do barrote e demais furos a cada 50 cm, emendas de perfil sempre sobre barrote duplo, com a advertência de nunca apoiar dois perfis num único barrote, e carga distribuída admitida de até 500 kg/m².
  • IFTO, trabalho de conclusão de curso de Engenharia Civil, 2023, com as tabelas da ABNT NBR 7190-1:2022 Traz as classes de umidade da norma de projeto de estruturas de madeira. A classe 4, para ambiente com umidade relativa acima de 85 % por longos períodos, corresponde a umidade de equilíbrio de 25 % ou mais, que é a condição em que trabalha um deck externo em região úmida.