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Selador, fundo preparador e massa

Três produtos que parecem intercambiáveis na prateleira e resolvem problemas diferentes. Escolher errado é o motivo mais comum de tinta boa render mal.

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Selador fecha porosidade. Fundo preparador consolida superfície fraca. Massa corrige imperfeição. São três funções distintas, e os boletins técnicos dos fabricantes trazem uma tabela de decisão por estado da parede que responde à pergunta em uma linha. Reboco novo pede 30 dias de espera e selador. Reboco fraco, cal ou parte solta pede fundo preparador. Gesso, concreto e bloco de cimento pedem fundo preparador. Parede boa pede apenas lixa e pano úmido.

Quantos litros de tinta comprar sai da calculadora de tinta, que parte do rendimento acabado da embalagem.

A tabela de decisão do fabricante

O boletim da Coralar Acrílico organiza o preparo por estado da parede, e a lista cobre quase todos os casos de reforma residencial. Vale ler a linha do seu caso antes de comprar qualquer produto de base, porque a escolha errada custa mais que o produto certo.

Estado da parede O que fazer
Em bom estado, com ou sem pintura lixar e eliminar o pó com pano úmido
Reboco novo aguardar no mínimo 30 dias, lixar e aplicar selador acrílico
Reboco novo sem poder esperar aplicar fundo preparador de paredes
Gesso, concreto e bloco de cimento lixar e aplicar fundo preparador
Gesso corrido produto específico para gesso e drywall
Reboco fraco, cal ou partes soltas remover o solto, lixar e aplicar fundo preparador
Pequenas imperfeições corrigir com massa, lixar e tirar o pó
Com mofo lavar com água e água sanitária em partes iguais, esperar 6 horas, enxaguar
Com umidade resolver a causa antes de pintar
Com brilho lixar até tirar o brilho e eliminar o pó
Com gordura lavar com água e detergente neutro, enxaguar e secar

A tabela do boletim da Sherwin-Williams chega ao mesmo lugar por outro caminho, agrupando reboco fraco, caiação, gesso, pintura velha calcinada e superfícies com partículas soltas ou mal aderidas num único tratamento: raspar ou lixar, eliminar o pó com pano úmido e aplicar fundo preparador. Dois fabricantes concorrentes convergindo no mesmo procedimento é um bom sinal de que o procedimento é do material, não da marca.

Selador ou fundo preparador?

Selador para superfície sã e porosa, fundo preparador para superfície fraca. O selador é uma barreira que reduz a absorção do reboco, para que a primeira demão de tinta não seja sugada. O fundo preparador é uma resina que penetra e cola o que está pulverulento, devolvendo coesão à camada superficial.

O teste que separa os dois casos leva cinco segundos: passe a mão aberta na parede. Se sair pó, a superfície não tem coesão e o caso é de fundo preparador. Se não sair pó mas a parede beber água imediatamente ao ser molhada, o caso é de absorção, e o selador resolve.

A observação sobre gesso corrido merece atenção porque é uma exceção declarada no próprio boletim. Gesso corrido é liso e pouco poroso, e o fundo preparador comum não tem ali a superfície aberta de que precisa para penetrar. Produto específico para gesso e drywall existe justamente por isso.

Por que 30 dias. Reboco novo continua liberando água e continua alcalino durante semanas. Tinta aplicada cedo demais fica sobre uma base que ainda vai retrair e ainda vai saponificar o ligante. O fundo preparador é a alternativa oferecida pelo fabricante para quem não pode esperar, e não uma equivalência: quem espera os 30 dias tem uma base melhor.

Onde entra a massa

Depois do preparo da base e antes da tinta, e apenas onde há imperfeição a corrigir. Os dois boletins pedem camadas finas, com lixamento e remoção do pó entre elas e antes da tinta de acabamento. Massa corrida é para interior; massa acrílica resiste a umidade e serve área externa e ambiente úmido.

Massa aplicada grossa é o erro clássico. Camada espessa seca por fora antes de por dentro, trinca em retração e descola em placa, levando a tinta junto. Duas camadas finas, com lixamento entre elas, chegam à mesma espessura e não trincam.

O lixamento e a remoção do pó são parte do produto, não etapa opcional. Toda tinta aplicada sobre pó de massa está aderindo ao pó, e não à parede. É o mesmo mecanismo que faz piso descolar sobre contrapiso sujo, descrito em argamassa colante AC I, AC II e AC III.

Umidade é a linha que não se negocia

O boletim da Coral resolve o caso em uma frase: parede com umidade, antes de pintar, resolva o que está causando o problema. Não há selador, fundo, massa ou tinta impermeável que segure pintura sobre parede que continua recebendo água por trás.

A pintura sobre umidade ativa falha sempre pela mesma sequência: bolha, descolamento em placa, mancha, e o mofo volta. Quando a origem é infiltração de fachada, telhado ou tubulação, o gasto com pintura é perda total até a origem ser resolvida. Vale gastar um dia procurando a causa antes de gastar uma semana pintando.

Umidade ascendente, aquela que sobe do solo pela base da parede, tem um sinal característico: mancha contínua a partir do rodapé, com altura parecida ao longo de toda a parede, e eflorescência branca. Ela pede barreira na base, não tinta.

As condições de aplicação que os boletins declaram

A Sherwin-Williams fixa temperatura ambiente entre 10 °C e 40 °C, e pede evitar dias chuvosos, corrente de ar intensa, umidade relativa acima de 90 % e superfície muito quente. A Coral recomenda a mesma faixa de temperatura e umidade relativa de no máximo 85 %.

A umidade relativa alta é a condição mais ignorada, e ela é comum no Brasil. Tinta base água seca por evaporação, e ar já saturado não recebe mais água. Pintar num dia de 90 % de umidade estica a secagem entre demãos muito além das 4 horas do boletim, e aplicar a segunda demão no prazo tabelado sobre uma primeira ainda mole produz película enrugada.

A outra condição, superfície muito quente, é o caso da fachada ao sol da tarde. A tinta perde água para o substrato antes de formar filme, e o resultado é acabamento pulverulento com má aderência. Pintar a fachada acompanhando a sombra resolve sem custo nenhum.

Até onde esta página vai

As instruções aqui são de boletins técnicos de dois fabricantes, para tinta acrílica base água em alvenaria. O boletim do produto que você comprou é a instrução que prevalece, e ele varia em prazos e em produtos de base. Pintura sobre metal, sobre madeira, sobre piso e sobre telhado segue outros sistemas. Diagnóstico de infiltração e de umidade ascendente, que é a condição que invalida todo o resto, com frequência exige profissional habilitado.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre selador e fundo preparador?
O selador fecha a porosidade de uma superfície sã, para a tinta não ser bebida pelo reboco. O fundo preparador penetra e consolida uma superfície fraca ou pulverulenta, colando o que está solto. Um resolve absorção, o outro resolve coesão, e trocar um pelo outro não funciona.
Quanto tempo esperar para pintar reboco novo?
O boletim da Coral pede no mínimo 30 dias de espera antes de lixar e aplicar selador acrílico. Quando não for possível aguardar os 30 dias e a secagem total do reboco, o mesmo boletim manda usar fundo preparador de paredes em vez do selador.
Massa corrida ou massa acrílica?
Massa corrida é para interior. Massa acrílica resiste à umidade e é a indicada para área externa e para ambiente úmido. Os dois boletins consultados mandam aplicar em camadas finas, lixar e eliminar o pó antes da tinta de acabamento.
Preciso de massa em toda a parede?
Não. Massa serve para corrigir imperfeições e para nivelar, não para preparar a base. Parede em bom estado e regular pede apenas lixamento e remoção do pó. Passar massa em parede sã acrescenta uma camada a mais para descolar depois.
Posso pintar direto sobre gesso?
O boletim da Coral manda lixar, eliminar o pó e aplicar fundo preparador sobre gesso, concreto e blocos de cimento, com uma exceção: sobre gesso corrido, o produto indicado é o específico para gesso e drywall, e não o fundo preparador comum.

A conta que este texto acompanha

Tinta Litros e latas pelo rendimento real do produto e número de demãos.

Fontes